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Toucinho do céu


O toucinho do céu faz parte do nosso receituário conventual e consiste num bolo confeccionado a partir de uma calda de açúcar em ponto à qual se adicionam amêndoas e gemas, e nalgumas receitas também doce de chila. Uma combinação aparentemente simples mas que origina uma variedade impressionante de receitas, de Norte a Sul de Portugal, como tão bem nos explica Virgílio Nogueiro Gomes no seu livro “Doces da Nossa Vida”. Partindo de variados pontos de açúcar em calda – ponto pérola, ponto espadana ou ponto de pasta – as diversas receitas contém sempre as gemas mas variam ainda nos frutos adicionados, que podem ser amêndoas, nozes, e nos dias de hoje com menor frequência avelãs e pinhões. Por vezes com adição de doce de chila, há receitas a que também se junta um pouco de manteiga, noutras um pouco de farinha, ainda sumo de limão ou pão ralado. O formato pode ser redondo ou rectangular, e o acabamento e decoração também é variado. Certamente cada uma destas receitas tem uma história para contar, e representa por isso um património de enorme valor.

A receita da região de Guimarães que aqui apresentamos, do livro de cozinha de Alfredo Saramago dedicado ao  Minho, leva o açúcar em ponto de pérola, a que são adicionadas gemas, amêndoas e doce de chila, preparado numa forma redonda. Uma receita entre muitas possíveis, que “nos leva ao céu”.




Adaptado de / Adapted from:  




Cozinha do Minho
Alfredo Saramago
Assírio & Alvim, 2000


"Doces da nossa vida" de | by Virgílio Nogueiro Gomes



" Estes encontros e desencontros permanentes entre a doçaria conventual e a popular mostram como ambas são importantes. Aqui, a doçaria regional é açucarada com estórias da gente do povo que cria as tradições regionais.
O Virgílio adoça-nos com as suas memórias de família, ao mesmo tempo que se debruça sobre os doces de todos nós que nasceram nos conventos."
                                                                                                          Maria de Lurdes Modesto







Este é um livro docemente recheado de histórias de família, tradições, homenagens e muito conhecimento. É o resultado de muita investigação, dentro e fora de Portugal, numa busca por explicações sobre a origem dos ingredientes e das receitas que constituem a nossa doçaria, seja a tradicional, das gentes do povo, ou a conventual. Está também repleto das histórias e memórias da família do autor, revelando receitas dos preciosos cadernos de receitas, de que este Bolo de Prata (ver a receita abaixo) é um exemplo. Um bolo de aproveitamentos de claras, mas muito versátil por poder ser comido tal qual ou ser coberto ou recheado, e de que existem variadíssimas versões, muito interessantes.

Uma homenagem a gerações de mulheres doceiras do nosso país, mas também uma homenagem a todos os estabelecimentos que mantêm uma produção contínua de muitos produtos da nossa pastelaria e doçaria, sem esquecer uma outra homenagem aqueles sem os quais possivelmente hoje não estaríamos a falar sobre doces: a todas as gerações de escravos, cujas tarefas, e sofrimentos, contribuiram para a produção do açúcar. 

O lançamento do livro, no passado dia 21 de Outubro, ocorreu no Museu da Cidade de Lisboa. E a sala não podia ter sido mais bem escolhida: a cozinha. Entre tachos e outros objectos, um fogão, uma mesa de pedra, as paredes decoradas com lindos azulejos azuis, decorreu a apresentação deste livro e a promessa de Virgílio Nogueiro Gomes de que outro já está na calha e para o ano podemos contar com mais um livro (dedicado à doçaria conventual, como nos revela no primeiro capítulo do livro, sobre o açúcar) que certamente contribuirá para manter vivo o património gastronómico português.











Bolo de Prata

 
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Ingredientes 

1 chávena de manteiga
1 chávena de leite
2 chávenas de açúcar
3 chávenas de farinha
1 c. café de fermento em pó
5  claras de ovo